terça-feira, 12 de junho de 2012

CÚPULA DOS POVOS - Tenda Terreiros Brasil I Semana de Cultura, Cidadania e Ecologia dos Povos Tradicionais de Terreiros Por uma Cultura Viva sem Fronteiras


CÚPULA DOS POVOS - Tenda Terreiros Brasil
I Semana de Cultura, Cidadania e Ecologia dos Povos Tradicionais de Terreiros
Por uma Cultura Viva sem Fronteiras

Apresentação

Assim como a terra, a água, o ar, o sol, a lua e o universo são as fontes elementares de toda a vida, a cultura é fonte de encantamento, contemplação e respeito a  toda a energia que brota nos mais diversos níveis e esferas das experiências, dos aprendizados e das reinvenções vivenciadas em comunidade.
A Cúpula dos Povos tem por objetivo alertar o planeta sobre os riscos sinalizados no processo da Rio+20, questionando os limites de compreensão dos líderes políticos e a cegueira do sistema capitalista acerca das crises que precisamos enfrentar neste início de século XXI, bem mais profundas do que a chamada “economia verde” seja capaz de resolver.
Nesse contexto, comunidades tradicionais, povos de terreiros, povos indígenas, griôs, quilombolas, pontos de cultura, agentes e ativistas culturais se organizam para a realização da I Semana de Cultura, Cidadania e Ecologia dos Povos Tradicionais de Terreiro na Cúpula dos Povos – Por uma Cultura Viva sem Fronteiras, espaço autogestionário que abrigará uma série de atividades, a exemplo da I Conferência Livre Internacional – Campanha Continental Cultura Viva Comunitaria. Será também espaço de convergência e aglutinação de um amplo Movimento Social da Cultura que se organiza hoje através de diversas redes culturais nacionais e internacionais.

Compreendendo a importância da cultura para pensarmos um novo modelo de envolvimento sustentável de maneira profunda, estrutural e orgânica, o encontro será um espaço aberto para vivenciar, visibilizar, celebrar, apresentar caminhos, trocar saberes, fazeres e tecnologias, intensificar diálogos e propor soluções simples, viáveis e eficientes – muitas das quais são praticadas há séculos pelas comunidades tradicionais – oferecendo assim, conhecimentos e práticas reais para a construção de uma sociedade global baseada na justiça social e no equilíbrio ambiental.


PROGRAMAÇÃO


15 de junho – sexta

Reunião Mundial dos Povos de Terreiro 

12:00H - Recepção
14:00hs – Roda de Cultura Tradicional dos Povos de Terreiros e Povos das Florestas
14:30hs – Ecologia e Cultura dos Povos Tradicionais de Terreiros
Roda de Convivência 
Aderbal Ashogun, Mãe Beata de Yemonjá, Mãe Torody, Mãe Lúcia de Oyá, Pai Zezito, Ekede Cinha, Mãe Meninazinha, Mametu Mabegy, Gilberto Leal, Pai Marcos, Chuchuca, Ekede Tia Lúcia, Carlos MinC e Márcia Rollemberg.

15:00hs – 17:30 – Oficina – Práticas Religiosas em Áreas Protegidas
Carta do Rio (Proposta de documento a ser tirado no final da semana)
Oficineiros
Laraf Moutinho, Frederico Loureiro, Francisco Carrera, Denise Alves.

18:00hs – Programação de Cultura
Coral Iyún Asé Orin – Lucinha Pessoa
Grupo de Dança Ogan Caio
Grupo de Capoeira Angola- Moicanos                    
TAMBORZADA - Companhia Folclórica do Rio-UFRJ

16 de junho – sábado

9:30hs – Roda de acolhimento de cultura tradicional dos povos de terreiros

10:00hs – Ecologia dos povos tradicionais de terreiro e Saúde
Roda de convivência 
Baba Diba, Mara Zélia, José Marmo, Sueli Conceição, Mametu Nangetu

11:30hs – Oficina Racismo Ambiental, Justiça Ambiental e Direito Ambiental
Robert Boullard, Francisco Carrera, Sérgio Ricardo, Diosmar Marcelino.

13:00hs – Almoço

14:00hs- Oficina INSTRUMENTOS RECICLADOS – INFANTIL RJ

15:00hs – Patrimônio de Matriz Africana / Identidade e Território
Oluségun Akinruli, Pai Paulo Pereira, Desire Tozzi, Américo Córdula, Aureanice Corrêa, Jô Brandão. Lideranças e mestres de comunidades tradicionais.

17:00hs- Os filhos de Odé, protetores da natureza- grupo de dança

18:00hs – Programação de Cultura 
Teatro “O dia que a Mãe d’Água chorou” - Ydá/Carranca
Grupo de Canto e Dança dos orixas – Dolores/CETRAB
Jongo Congola- Bartira
RODA DE SAMBA RJ

17 de junho - Domingo

9:30hs – Roda de Cultura Tradicional dos Povos de Terreiros e Povos da Florestas

10:00hs – Cultura de Matriz Africana uma Abordagem Afro-cêntrica/ Eco-afrocêntrismo
Professora Elisa Larkin - IPEAFRO.

10:00hs - Encontro da Red Latina Americana de Teatro Comunitário no Centro de Teatro do Oprimido

11:00hs – Juventude de terreiros uma conversa intergeracional 
Bartira Penha, Pai Rondinele, Milso Omiletó, Noan Moreira, Kitanji, Fábio Negão 

13:00hs – Almoço

14:00hs –Soberania Alimentar Erradicação da Pobreza/Agroecologia
Da Produção ao Consumo Sustentavél 
Raymundo Komanangy, Marcelo Monteiro, Kota Mulanji, Fetraf e Contag

15:00hs – Concentração Jongo Congola – Roda de capoeira – Gingando pela cultura
Cortejo dos povos tradicionais por um estado Laico / Interferência Urbana - Fumacê do Descarrego com Alexandre Vogler.

15:00hs - Ensaio da Marcha das Culturas do dia 20/06 - Local: Centro de Teatro do Oprimido

17:00hs – Chegada a Tenda Religões por Direitos

18:00hs – Programação de Cultura 
QUILOMBO SP (filme)
RAP – RO

18 de junho - Segunda

9:30hs - Roda de Cultura Tradicional dos Povos de Terreiros e povos da Florestas

10:00hs – Roda de Convivência: Cultura Digital e Comunicação
Muniz Sodré, Haroldo Costa, Ricardo Ruiz, TC, Pablo Capilé, Ricardo Poppi , Renato Fabbri, Ivana Bentes, Zezinho Andrade, Dênis Rodrigues, Mãe Beth de Oxum.  
Lideranças e mestres de comunidades de culturas tradicionais 

12h-filme: Mãe Meninazinha da Oxum - Iyalorixá da Sociedade Civil e Religiosa do Ilê Omolu Oxum


14h – ABERTURA:  Encontro  Internacional Cultura Viva /  Pontos de Cultura Sem Fronteiras
Conferência Livre Internacional Cultura Viva
Rodas de dialogo, facilitada por articuladores da  cultura viva nos mais diversos movimentos diversos movimentos culturais nacionais e internacionais.
Artistas, ativistas, educadores, mestres e aprendizes, dialogando sobre políticas culturais e cultura politica, no  Brasil, na America Latina e no mundo 

Convidados e provocadores
Celio Turino,  Eduardo Balán, Davy Alexandrisky, Alexandre Santini, Bárbara Szaniecki Patricia  Ferrraz, Pai Lula Dantas, Aderbal Ashogun, Leo Br, Marcelo das Histórias, José Maria Reis (Zehma), Gilson Máximo, Marjorie Botelho, Andrea Freire, Marcus Franchi, Geo Britto, Lucimar Weil, Marly Cuesta, Fabio Kossmann, Fred Maia, Fabio Carvalho,  Maria Aparecida Tozatti, Rosângela Rocha, Marcio Bello, Cris Alves, Giuseppe Cocco, Stela Gianquito, Jorge Blandon, Ivan Nogalez, Adriano Mauriz, Reinaldo Santana, Enrique Espitia, Edwin Cubillos, Camilo Bogotá, Luvel García.

17:00hs –Programação Cultural
"O que tem dentro da semente?" Cia Malasartes
SHOWS MUSICAIS + POESIA com Rosa Helena e Músicos


18h - Percurso Cultura Viva:  Recepção da Caravana Continental por La vida  Manguinhos - Complexo da Maré


19 de junho - terça

I CONFERÊNCIA LIVRE  -  CULTURA VIVA - CAMPANHA CONTINENTAL PELA CULTURA VIVA sem fronteiras

9:30hs - Roda de Acolhimento de Cultura Tradicional dos Povos de Terreiros e povos da Florestas

10:00hs – Políticas Públicas para a Cultura – Sistema Nacional de Cultura, Lei Cultura Viva e Lei Griô, Agenda Legislativa,Cultura e Educação, Cultura e sustentabilidade, Cultura e Desenvolvimento

Marcia Rollemberg - Secretária de Cidadania Cultural do MinC
Jandira Feghali - Deputada Federal e Presidente da Frente Parlamentar de Cultura do Congresso Nacional.
Robson Leite - Deputado Estadual e Presidente da Frente Parlamentar de Cultura da ALERJ
Marcio Griô - Presidente do Conselho Estadual de Cultura da Bahia/Coordenador da Ação Griô Nacional
José Maria Reis (Zehma) - Comissão Nacional dos Pontos de Cultura
Camilo Bogotá - Subdiretor de Práticas Culturais - Secretaria Distrital de Cultura, Recreação e Esporte de Bogotá 

Lideranças dos Povos e Comunidades Tradicionais: 
Mãe Meninazinha, (RJ) Chuchuca (BA), Gayacu Deusimar (RJ) Pedro  Miranda (RJ)

13:00hs – Almoço Sexteto vocal Africanamente-Tania Amorim
14:00hs – Roda de Conversa : Campanha Continental Cultura Viva Comunitária 
Atividade autogestionária de encerramento da Campanha Continental Cultura Viva Comunitária, promovida desde abril de 2012 pelas  redes Plataforma Puente Cultura Viva Comiunitária, Rede Latinoamericana de Artes para a Transformação Social, Rede Latinoamericana de Teatro em Comunidade.

Facilitadores: Eduardo Balan (Argentina), Alexandre Santini (Brasil)


Brasil
Célio Turino – Idealizador do Programa Cultura Viva 
Adriano Mauriz  - Pombas Urbanas
Reinaldo Santana - Entrou por uma Porta

Argentina
Stella Gianquito - Teatro Catalina Sur

Bolívia
Ivan Nogales. Teatro Trono-Compa – Coordenador Caravana por la Vida 

Colômbia
Jorge Blandon. Corporación Cultural Nuestra Gente
Enrique Espitia DC Arte- Plataforma Puente Cultura Viva
Edwin Cubillos - Gestor de Cultura Viva Comunitaria - Secretaría Distrital de Cultura, Recreación y Deporte de Bogotá

Cuba
Luvel Garcia - Joven IDEA - Plataforma Puente Cultura Viva Comunitaria 
18:00hs – Batida de Ponto: Interações Estéticas e Sonoras

Treme Terra Esculturas Sonoras (RJ) convida e recebe:
Mãe Beth de Oxum  -   Coco de Umbigada (PE)
Antônio Carlos (TC)-  Casa de Cultura Tainã (SP)
Mestre Lumumba e Aprendizes.Br  - Nina Griô (SP / RJ)
Fabio Carvalho - Manguerê (ES)
Márcio Bello  - Tambores do Tocantins (TO)


20 de junho – quarta


9:30hs - Roda de Acolhimento de Cultura Tradicional dos Povos de Terreiros 

10h00 - Mobilização Global
Mãe Beata de Yemanjá e Wole Soiynka Mestre de Cerimonias das Culturas Tradicionais 

14:00h - Marcha Mundial dos Povos (Candelária)

18:00hs – Programação Cultural 
Show Barravento
Grupo Cultural O Som das Comunidades : Entra na Roda.

21 de junho - quinta

09:30hs – Roda de acolhimento Cultura Tradicional dos Povos de Terreiros e povos da Florestas


10h – Dinamicas Glocais –   Cultura, Cidade, território e modelos de desenvolvimento

Camilo Bogotá - subdirector de Prácticas Culturales - Secretaría Distrital de Cultura, Recreación y Deporte de Bogotá 
Edwin Cubillos - Gestor de Cultura Viva Comunitaria - Secretaría Distrital de Cultura, Recreación y Deporte de Bogotá
Hamilton Faria - Instituto Pólis (SP)

Atílio Alencar - Casa FDE PoA

12:00h - Intevenção teatral: Centro de Teatro do Oprimido: Direito à Moradia 

12:30h- Oficina Percussão da Maré

15:00h - Roda de Conversa - Artes Públicas e Direito à Cidade
Amir Hadad - Teatrólogo e Diretor do Grupo  Tá Na Rua
Reimont Ottoni - Vereador e Presidente da Frente Parlamentar de Cultura da Cidade do Rio de Janeiro 
Giuseppe Cocco - Universidade Nômade/ UFRJ
Zeca Ligiéro- NEPAA/ UNIRIO

Programação Artística: 
18:00 - TÁ NA RUA: " Santo Antônio de Lisboa e a Sereia do Mar"
20:30 - Up with people

22 de junho – sexta
Kao, Xango!

09:30hs - Roda de acolhimento Cultura Tradicional dos Povos de Terreiros e povos da Florestas
10 a 12:00hs -Dança Palco Pequeno> Iara Cassano
13:00hs – Almoço
15:00hs – Assembleia Cultural dos Povos – Direitos Culturais - Cultura como Bem Comum 

23 de junho – sábado

14:00hs – Reunião da Rede Nacional de Cultura Ambiental Afro-Brasileira.
Encaminhamentos, finalização de sistematização dos documentos. 

20:00hs - Festa de Xango


ATIVIDADES PERMANENTES

Terreiros Digitais
Durante toda a cúpula, em formato de convivência imersiva, estaremos com atividades de mídia tática, multiplicando conhecimentos sobre as ferramentas usadas para edição e transmissão das informações geradas no próprio evento. Basta procurar outros participantes e perguntar a respeito. O uso da internet através dos programas de chat (skype e IRC), o EtherPad como notação e organizador de evento, wikis e o uso estratégico dos blogs e mídias sociais são alguns dos temas propostos para a dinamização e o empoderamento dos participantes no debate e disseminação da cultura digital através da ancestralidade. 

Rádio Stream Mojubá, Laroie, Exu!
TODOS OS DIAS, transmitindo amplexos radiofônicos emitidos por Terreiros de  todo o Brasil. 
Sempre às 18:00h (rádio) Conexão Oyá TOgun
Candomblé e Direitos Humanos

Espaço Xangô - Direito Sagrado:
Ouvidoria de crimes contra cultura e religião
Espaço de inscrição para eleição dos colegiados setoriais e do Conselho Nacional de Políticas Culturais.

Mostra Audiovisual Zózimo Bulbul
Filmes e vídeos especialmente selecionados circulando pela programação 

sexta-feira, 8 de junho de 2012

OS ÍNDIOS DO SÉCULO XXI


Artigo: Os índios do Século XXI
Por José Ribamar Bessa Freire*
 
"Índio quer tecnologia" - berra O Globo, em chamada de primeira página (25/05). Lá está a foto de um guerreiro Kamayurá, que usa um iPhone para fotografar o terreno da Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, onde será construída a aldeia Kari-Oca que vai sediar eventos paralelos da Conferência Rio+20. Ele viajou de barco e de ônibus, durante três dias, com mais vinte índios do Alto Xingu, de quatro nações diferentes. Chegaram na última quinta-feira, para construir a aldeia Kari-Oca.
 
Na aldeia que eles vão construir formada por cinco ocas - uma delas será uma oca eletrônica hight-tech - mais de 400 índios que vivem no Brasil discutirão com índios dos Estados Unidos, Bolívia, Peru, Canadá, Nicarágua e representantes de outros países temas como Código Florestal, demarcação de terras, reservas minerais, crédito de carbono, clima, usinas hidrelétricas, saberes tradicionais, direitos culturais e linguísticos. No final, produzirão um documento que será entregue à ONU no dia 17 de junho.
 
Embora a notícia contenha informações jornalísticas, O Globo insiste em folclorizar a figura do índio. Em pleno século XXI, o jornal estranha que índios usem iPhone, como se isso fosse algo inusitado. Desta forma, congela as culturas indígenas e reforça o preconceito que enfiaram na cabeça da maioria dos brasileiros de que essas culturas não podem mudar e, se mudam, deixam de ser "autênticas".
 
A imagem do índio "autêntico" reforçada pela escola e pela mídia é a do índio nu ou de tanga, no meio da floresta, de arco e flecha, tal como foi visto por Pedro Álvares Cabral e descrito por Pero Vaz de Caminha, em 1.500. Essa imagem ficou congelada por mais de cinco séculos. Qualquer mudança nela provoca estranhamento.
 
Quando o índio não se enquadra nesta representação que dele se faz, surge logo reação como a esboçada pela pecuarista Kátia Abreu, senadora pelo Tocantins (PSD, ex-DEM): "Não são mais índios". Ela, que batizou seus três filhos com os nomes de Irajá, Iratã e Iana, acha que o "índio de verdade" é o "índio de papel", da carta do Caminha, que viveu no passado, e não o "índio de carne e osso" que convive conosco, que está hoje no meio de nós.
 
Na realidade, trata-se de uma manobra interesseira. Destitui-se o índio de sua identidade com o objetivo de liberar as terras indígenas para o agronegócio. Já que a Constituição de 1988 garante aos índios o usufruto de suas terras - que são consideradas juridicamente propriedades da União- a forma de se apoderar delas é justamente negando-se a identidade indígena aos que hoje as ocupam. Se são ex-índios, entã, não têm direito à terra.
 
Criou-se, através dessa manobra, uma nova categoria até então desconhecida pela etnologia: a dos "ex-índios". Uma categoria tão absurda como se os índios tivessem congelado a imagem do português do século XVI, e considerassem o escritor José Saramago ou o jogador Cristiano Ronaldo como "ex-portugueses", porque eles não se vestem da mesma forma que Cabral, não falam e nem escrevem como Caminha.
 
O cotidiano de qualquer cidadão no planeta está marcado por elementos tecnológicos emprestados de outras culturas. A calça jeans ou o paletó e gravata que vestimos não foram inventados por brasileiro. A mesa e a cadeira na qual sentamos são móveis projetados na Mesopotâmia, no século VII a. C., daí passaram pelo Mediterrâneo onde sofreram modificações antes de chegarem a Portugal, que os trouxe para o Brasil.
 
A máquina fotográfica, a impressora, o computador, o telefone, a televisão, a energia elétrica, a água encanada, a construção de prédios com cimento e tijolo, toda a parafernália que faz parte do cotidiano de um jornal brasileiro como O Globo - nada disso tem suas raízes em solo brasileiro. No entanto, a identidade brasileira não é negada por causa disso. Assim, não se concede às culturas indígenas aquilo que se reivindica para si próprio: o direito de transitar por outras culturas e trocar com elas.
 
Foi o escritor mexicano Octávio Paz que escreveu com muita propriedade que "as civilizações não são fortalezas, mas encruzilhadas". Ninguém vive isolado, fechado entre muros. Historicamente, os povos em contato se influenciam mutuamente no campo da arte, da técnica, da ciência, da língua. Tudo aquilo que alguém produz de belo e de inteligente em uma cultura merece ser usufruído em qualquer parte do planeta.
 
Setores da mídia ainda acham que "índio quer apito". Daí o assombro do Globo, com o uso do iPhone pelos Kamayurá, equivalente ao dos americanos e japoneses se anunciassem como algo inusitado o uso que fazemos do computador ou da televisão: "Brasileiro quer tecnologia".
 
O jornal carioca, de circulação nacional, perdeu uma oportunidade singular de entrevistar integrantes do grupo do Alto Xingu, como Araku Aweti, 52 anos, ou Paulo Alrria Kamayurá, 42 anos, sobre as técnicas de construção das ocas. Eles são verdadeiros arquitetos e poderiam demonstrar que "índio tem tecnologia". O antropólogo Darell Posey, que trabalhou com os Kayapó, escreveu:
 
"Se o conhecimento do índio for levado a sério pela ciência moderna e incorporado aos programas de pesquisa e desenvolvimento, os índios serão valorizados pelo que são: povos engenhosos, inteligentes e práticos, que sobreviveram com sucesso por milhares de anos na Amazônia. Essa posição cria uma ‘ponte ideológica’ entre culturas, que poderia permitir a participação dos povos indígenas, com o respeito e a estima que merecem, na construção de um Brasil moderno”.
 
Esses são os índios do século XXI. A mídia olha para eles, mas parece que não os vê.
 
Fonte: Diário do Amazonas
 
* José Ribamar Bessa Freire é professor-coordenador o Programa de Estudos dos Povos Indígenas (UERJ), pesquisa no Programa de Pós-Graduação em Memória Social (UniRio)

quinta-feira, 12 de abril de 2012

CAMPAÑA CONTINENTAL CULTURA VIVA COMUNITARIA

Semana del 12 al 19 de abril de 2012 en Medellín-Colombia
Cultura Viva Comunitaria, significa trabajo a favor de la vida en todas sus dimensiones. Pero develando lo no reconocido, lo poco oído y lo poco mirado. Es decir, la Vida y la Cultura existente, dinámica y propositiva que reposa y se moviliza en los territorios.
Durante una semana entre el 12 y 19 de abril adelantaremos activaciones de cultura viva comunitaria en Medellín. Cultura Viva Comunitaria, está en las calles, en los grupos y colectivos, en toda la ciudad.
Jueves 12 de abril
Encuentro Inicio Campaña Continental
Plataforma Puente – Cultura Viva Comunitaria Equipo Medellín
Hora: 5:00 p.m
Lugar: Casa Platohedro, Calle 49 A Nº 36 – 93, Barrió Buenos Aires
Transmisión por: www.livestream.com/platohedro






http://www.youtube.com/watch?v=o5b7SjeFtAA
http://www.youtube.com/watch?v=jCAkXfkxBL8&feature=relmfu
http://www.youtube.com/watch?v=rvpPF0Ny5M0&feature=relmfu
http://www.youtube.com/watch?v=8VqgzqV4OP8&feature=relmfu



Fonte: http://pontosdecultura.org.br/noticias/campana-continental-cultura-viva-comunitaria/

segunda-feira, 9 de abril de 2012

CULTURA VIVA

II DIÁLOGOS VIRTUAIS DO REDESENHO DO PROGRAMA CULTURA VIVA


ACESSE O FORMULÁRIO DO II DIÁLOGO VIRTUAL DO REDESENHO DO PROGRAMA CULTURA VIVA,
II Diálogos Virtuais do Redesenho do Programa Cultura Viva
Os diálogos virtuais são um espaço de participação social ampliada, que possibilita que todos os pontos e pontões de cultura interessados em acompanhar e integrar a pesquisa Redesenho do Programa Arte Cultura e Cidadania – Cultura Viva possam fazer chegar ao GT suas contribuições. Antes de cada reunião temática e de cada seminário, questões serão disponibilizadas on-line e os pontos terão um prazo para respondê-las.
A participação dos pontos de cultura é voluntária. Caberá aos representantes regionais da CNPdC no GT sistematizar o acúmulo de sua região e disponibilizar ao GT um documento síntese 6 dias antes dos encontros  presenciais. Nossa próxima reunião temática será nos dias 26 e 27/04, em Brasília.
A discussão do II Diálogo Virtual é sobre as redes do Programa e gestão compartilhada. Os documentos que dão subsídios a essa discussão estão disponíveis nos sites do iTEIA e da CNPdC:
O Catálogo Cultura Viva pode ser acessado pelo seguinte link:
Nestes documentos estão os principais conceitos do Programa Cultura Viva.As dúvidas podem ser encaminhadas ao e-mail redesenhoculturaviva@gmail.com ou diretamente aos Representantes da CNPdC no GT de Redesenho:
cnpdcredesenho@gmail.com
Região Sul – Gilson Máximo: maximo.gilson@gmail.com
Região Sudeste – Davy Alexandrisky – davy@campusavancado.org.br
Região Norte – José Maria Reis –
zehma@hotmail.com
Região Nordeste – Mestre Lula – acaipontodecultura@gmail.com
Região Centro-Oeste – Andréa Freire –
andreaefreire@gmail.com

quinta-feira, 22 de março de 2012

I REUNIÃO TEMÁTICA DO REDESENHO DO PROGRAMA CULTURA VIVA







                   PREZAD@SPARCEIR@SDO PROGRAMA CULTURA VIVA

COMO É DO CONHECIMENTO DE TOD@S, FORAM INICIADAS AS ATIVIDADES DO REDESENHO DO PROGRAMA CULTURA VIVA JUNTO AO MinC/IPEA, NUM CRONOGRAMA COM PREVISÃO DE ENCERRAMENTO PARA AGOSTO DE 2012.
FORAM APRESENTADAS 20 QUESTÕES PARA SEREM RESPONDIDAS PELOS PCs NESTA FASE INICIAL, DESTAS 20 QUESTÕES FOI SOLICITADA A SISTEMATIZAÇÃO DAS RESPOSTAS DE 06 DAS QUESTÕES PARA ESSA I REUNIÃO TEMÁTICA QUE ACONTECE DE 26 A 27 DE MARÇO DE 2012, EM BRASÍLIA. CONFORME PROGRAMAÇÃO (abaixo copiada), METODOLOGIA APRESENTADA (Em anexo).
O GRUPO DE TRABALHO DA CNPdC NO REDESENHO, FORMADO POR 05 MEMBROS TITULARES, 05 SUPLENTES E COLABORADORES DOS MOVIMENTO NACIONAL DOS PONTOS DE CULTURA VEM, ATRAVÉS DESTE, APRESENTAR PARA AQUELES QUE SE DISPUSERAM A PARTICIPAR ATIVAMENTE DESTE DESAFIO DE BUSCAR INCESSANTEMENTE SOLUÇÕES PARA A CONSOLIDAÇÃO DO PROGRAMA CULTURA VIVA, E DO SEU CONCEITO DE AUTONOMIA, PROTAGONISMO E EMPODERAMENTO, A SISTEMATIZAÇÃO POR REGIÃO, DESSA PRIMEIRA ETAPA DO DIÁLOGO VIRTUAL, E SOLICITAR A CONTRIBUIÇÃO DE TOD@S NA CONSTRUÇÃO COLABORATIVA NO QUE SERÁ A PROPOSTA DO MOVIMENTO NACIONAL DOS PCs, NESTE REDESENHO, RESPONDENDO A ESSAS QUESTÕES, A LUZ DAS SUAS EXPERIÊNCIAS E VIVÊNCIAS E, DO QUE FOI SINALIZADO PELOS PONTOS QUE RESPONDERAM AO QUESTIONÁRIO:
12 Na sua opinião, qual o salto de qualidade que o Programa precisa dar para atender melhor aos seus propósitos?
13 Quais são as principais ações que podem facilitar o processo de conveniamento?
14 Que ações os pontos/pontões e a SCC precisam aprimorar para cumprimento das exigências da prestação de contas com efetividade?
15 Quais os momentos das atividades desenvolvidas pelos pontos/pontões que devem ser registrados para auxiliar na prestação de contas? Que modelos podemos construir para tal registro?
16 Que ações a Secretaria poderia adotar no sentido de facilitar os fluxos burocráticos em relação aos Pontos e Pontões?
17 Que ações podemos construir para dar um salto de qualidade na atuação Pontos X Pontões e vice-versa?
A EQUIPE DO IPEA COMUNICOU AINDA QUE, EMBORA NÃO TENHA RECURSOS PARA ESSA DESPESA, SERÁ PERMITIDO O ACESSO DE UMA EQUIPE DE COBERTURA DA CNPdC NA REUNIÃO TEMÁTICA, DESDE QUE ENVIADOS OS NOMES COM ANTECEDÊNCIA PARA AS DEVIDAS AUTORIZAÇÕES. ASSIM SENDO, SOLICITAMOS A ALGUMA EQUIPE DE PONTO DE CULTURA DO DF E/OU REGIÃO, QUE POSSA NOS AUXILIAR NA QUESTÃO DO STREAM E DO REGISTRO AUDIOVISUAL DA ATIVIDADE.

AGRADECEMOS AOS PONTEIR@S QUE CONSEGUIRAM SUPERAR O DESÂNIMO E A DECEPÇÃO CAUSADAS PELAS SEGUIDAS NOTÍCIAS DE CANCELAMENTOS DE EDITAIS E DE CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS, E TEM ENVIADO SUAS CONTRIBUIÇÕES E MENSAGENS DE CONFIANÇA E DE OTIMISMO AO GT, LEMBRANDO NOSSO PAPEL DE REPRESENTANTES DO MOVIMENTO NACIONAL DOS PONTOS, PONTINHOS E PONTÕES DE CULTURA.
CONTAMOS COM SUA CONTRIBUIÇÃO EM MAIS ESSA ETAPA, QUE APENAS SE INCIA, DA LUTA PELA CIDADANIA CULTURAL NO BRASIL.

* SEGUE EM ANEXO A SISTEMATIZAÇÃO POR REGIÃO E MAIS DOCUMENTOS PARA REGISTRO E CONSULTA, ABAIXO COPIADO A PROGRAMAÇÃO DO I REUNIÃO TEMÁTICA
--
I Reunião Temática
Redesenho Do Programa Cultura Viva
1.1 Objetivo Geral desta reunião
Iniciar o Redesenho do Programa Cultura Viva à partir de alguns dos principais desafios identificados
nas pesquisas do IPEA (2010 e 2012). Conveniamento, Prestação de contas; Rede e Atuação da
Secretaria
1.2 Local e Horário
O evento será realizado no Edifício Parque da Cidade, 12o. andar, entre os dias 26 e 27 de Março
nos horários das 09hs ás 13hs e das 14h30 ás 18h30
1.3 Participantes
Cerca de 40 pessoas, integrantes do Grupo de Trabalho, participarão das Reuniões Temáticas. Serão disponibilizadas 05 mesas com 08 lugares em cada mesa de trabalho. A distribuição dos participantes nos GTs será previamente definida com critérios que contribuam para melhor desempenho das equipes.
1.4 Programação
Momento 01
Abertura do Evento
Apresentação do processo de Redesenho do programa montado pela Secretaria em parceria com IPEA
Apresentação da Linha do Tempo do Programa desde sua criação
Identificação dos principais pontos de atuação para Redesenho do Programa;
Momento 02
Identificação das ações de melhoria do fluxo no processo de conveniamento;
Identificação de ações que possam contribuir para a melhoria dos fluxos de procedimentos da Secretaria em relação aos pontos e pontões;
Identificação de ações de melhoria do processo de prestação de contas
Pactuar marcos e formatos de registros necessários para prestação de contas
Momento 03
Identificação de ações que qualifiquem os papéis dos pontões em relação aos pontos e vice versa
Identificação, no contexto, das principais instâncias de atuação da rede.
Momento 04
Pactuação de compromissos
Avaliação do evento
Equipe IPEA Redesenho Cultura Viva
Frederico Barbosa, Gloria de Oliveira, Valéria Labrea, Sumaya Dounis, Mariana Oliveira.
***
SEGUIMOS SEMPRE TENTANDO...
Talvez um dia nossos sonhos se realizem, ou talvez não... Mas não podemos deixar de sonhar...
Talvez um dia conheçamos pessoas incríveis que nunca mais sairão de nossos corações e pensamentos, ou talvez não... Mas não podemos deixar de lembrar...
Talvez um dia alguém que você ama muito te deixe, e você poderá encontrá-la novamente no futuro, para que sejam novamente felizes, ou talvez não... Mas não podemos deixar de amar...
Talvez possamos ter um dia tão feliz, que jamais o esqueçamos e rezaremos para que tenhamos outro igual, ou talvez não... Mas não podemos deixar de sorrir...
Talvez possamos ter um dia tão triste, que rezaríamos muito para Deus tirá-lo de nossos pensamentos, mas isso infelizmente Ele não pode fazer, pois faz parte de nosso aprendizado, ou talvez não... Mas não podemos deixar de rezar...
Talvez um dia você acredite piamente em algo e depois descubra que infelizmente você estava errado ou esse algo não exista, ou talvez não... Mas não podemos deixar de acreditar...
Talvez um dia consigamos ter uma vida tranquila, um bom emprego, dinheiro para gastar com a família e amigos, um lugar aconchegante, um bom carro, ou talvez não... Mas não podemos deixar de tentar...
Talvez um dia tenhamos a Cultura como eixo norteador das políticas públicas, com ações reais que garantam o registro, a promoção e a cidadania dos Povos Tradicionais, dos Mestres dos saberes e fazeres e dos Grupos da Cultura Popular Brasileira, ou talvez não...Mas não podemos deixar de lutar...
(Cultura Popular)

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